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Valor Económico: Tudo pela qualidade

A Valor Económico foi entrevistar Fernando Correia, Administrador Executivo da Interaves para conhecer a actualidade desta importante empresa da avicultura em Portugal. De facto estamos a falar do maior produtor de codornizes do país com uma saída de 150 mil unidades por semana e mais de 500 toneladas da restante gama de produtos avícolas. Com esta performance a Interaves é assim também uma das principais referências ao nível do frango campestre e a única empresa que produz frango biológico. O segredo para o sucesso está na total dedicação ao cliente e consumidor e uma saudável ‘obsessão’ pela qualidade.

Fundada em 1982, a Interaves foi o corolário da experiência e formação de Fernando Correia (no presente com quase 40 anos de posicionamento no sector), associado ao Grupo Valouro. Neste percurso, com a Interaves a completar quase três décadas de existência, muitos foram os momentos altos “como a nossa certificação do nosso Sistema de Gestão de Qualidade”, destaca Fernando Correia, que lembra ainda que a empresa ”passou por uma modernização de modo a dar respostas aos seus clientes e consumidores. Como? Através da modernização e formação contínuas, sempre focalizada no cliente e consumidor. Iniciámos a nossa actividade com a produção intensiva, passámos depois à produção extensiva e produção biológica. O nosso objectivo alargou-se também ao mercado internacional”. Tudo isto, acrescenta “são passos de uma grande importância para uma empresa que quer estar no mercado e ser competitiva. É, digamos, este somatório de pequenas coisas que tornam a Interaves numa empresa com o prestígio e dimensão que tem hoje”.

 Dito assim até parece que o caminho foi fácil mas as nuances deste negócio tem muitas e complexas variáveis às quais a Interaves procura dar as melhores respostas. Aqui Fernando Correia alerta que “hoje quem quiser estar na indústria alimentar tem de estar focalizado no consumidor e no cliente. No consumidor, por ser fundamental a sua confiança e fidelização. No cliente, estabelecendo parcerias e oferecendo boas oportunidades e soluções para que o seu negócio seja rentável.

 A diversificação dos nossos produtos é a resposta às exigências do mercado, sendo o Frango Intensivo o nosso principal volume de negócios, mas o Frango Campestre, o Frango Biológico e as Codornizes são uma importante aposta dos últimos anos, com cotas de mercado, para nós, surpreendentes e com potencial de crescimento.
O prestigio e a dimensão da Interaves são o somatório de pequenas coisas que dão origem a grandes negócios.
O mercado internacional tem-se materializado de forma crescente e é hoje um dos nossos grandes objectivos, afirma Fernando Correia.

 Para uma empresa como a Interaves, com a abrangência de produtos e tão vasto leque de clientes, inovar é uma obrigação e Fernando Correia tem noção da importância dessa vertente, por isso afirma, de forma peremptória, que “a inovação está presente todos os dias”. Na Interaves, explica, “fazemos uma avaliação contínua do nosso trabalho de forma objectiva. O cumprimento dos nossos procedimentos e processos, integrados no nosso sistema de auto-controlo, é um sólido compromisso com os colaboradores envolvidos, motivando-os para melhorar a eficácia na produção, qualidade e apresentação dos nossos produtos e serviços.

 O frango biológico é fruto do que acabou de referir. “Verificámos que existia mercado e avançámos para a sua produção”. Isto, apesar de estarmos a falar de um pequeno mercado “porque o frango biológico fica muito mais caro do que o frango intensivo. Destina-se a um segmento restrito de consumidores, de maior exigência e com mais poder de compra. Avançámos para a sua produção, por coerência, por gosto em fazer coisas novas e diferentes e ainda para responder aos desafios da última década na União Europeia, em que a produção biológica teve um grande incremento.

 Outro aspecto que contribui para as mais-valias da Interaves está no cuidado que a empresa tem em relação ao bem-estar animal que “é a nossa primeira prioridade”, exclama Fernando Correia. A minha opção pela a avicultura foi por gosto, pelo meu interesse pelos animais. Neste caso, as aves, pelo seu bem estar, respeitando as suas necessidades ambientais, nutricionais, higiénicas e sanitárias. Condições imprescindíveis para a segurança alimentar dos produtos que chegam aos consumidores.

 Estou consciente dos meus deveres e responsabilidades, enquanto produtor. Esta é a minha exigência aos meus colaboradores, produtores e fornecedores, de modo a garantir o cumprimento dos nossos objectivos e do nosso slogan “Dá Gosto Fazer Bem”.
Controlamos, com rigor, todas as fases de produção, nomeadamente ambiente, temperatura, qualidade das camas, maneio na criação, transporte, etc.

  Fernando Correia aproveita a ocasião para fazer um grande elogio ao seu quadro de Recursos Humanos “Temos excelentes colaboradores, técnicos de elevada competência, conscientes do seu dever no cumprimento dos nossos procedimentos e legislação em vigor, em toda a fileira produtiva.

 

 

Fernando Correia, numa postura ética irrepreensível, está convencido que o cumprimento das regras de bem-estar animal “não são monopólio da Interaves”. O que “nós procuramos é estar na primeira linha. Do que sabemos, em relação ao que se faz na avicultura portuguesa, os nossos concorrentes cumprem, de uma maneira geral, as regras do bem-estar animal”.

 

Em termos de produção a Interaves é líder na produção de codornizes e é um dos maiores produtores nacionais das restantes espécies avícolas, destacando-se o Frango Campestre, como um produto que respeita a produção tradicional, com todos os procedimentos de controlo e garantia de segurança alimentar. O aumento de produção é a resposta à crescente preferência dos consumidores, com destaque para o mercado de exportação. “E este cenário é para manter”, assevera Fernando Correia. “A liderança tem a ver com a confiança dos clientes e consumidores. A questão não é produzir mais ou menos, é sim a sustentação do que dizemos e fazemos.

 

Crescimento? Apostamos no crescimento sustentado e em parcerias que mantemos com mais de 200 produtores a nível nacional. Procuramos ser lideres de confiança e entendemos que este é o melhor passo para o crescimento. Os últimos anos têm sido muito negativos para a nossa actividade, resultante do aumento de preço dos cereais, sem que o preço de venda cubra os custos, o que, obviamente, prejudica o crescimento.
Crescer a perder dinheiro é comprometer o futuro e isso não queremos. O que queremos é manter os postos de trabalho e esperar a nossa oportunidade para crescer.
Fernando Correia revela a sua preocupação com a crise económica do País, com consequências no poder de compra dos consumidores, agravada pelo aumento de custo dos factores de produção. A Interaves, em 2009, apercebendo-se das dificuldades, tomou uma importante decisão, afirma Fernando Correia, que foi liquidar todas as responsabilidades com instituições financeiras, reduzindo assim os seus custos e beneficiando de mais autonomia e capacidade negocial.

Para os bons resultados é vital uma gestão rigorosa e aqui entra a visão empresarial de Fernando Correia que, em tempo de contracção económica considera ser “muito importante a racionalização de custos sem pôr em causa a qualidade. Na Interaves, os custos e a qualidade são avaliados ao dia”.

A nossa facturação anual ronda os 50 milhões de euros. Mantermos este valor é, para nós, positivo, porque “crescer em tempo de crise” pode traduzir-se em mais prejuízo e isso não queremos.

interaves2.jpg Do total de vendas, qual a cota das grandes cadeias de distribuição e como se relaciona com estes grandes clientes?
A maioria das nossas vendas são para as grandes e médias cadeias de distribuição, com as quais temos um bom relacionamento. São de grande exigência no que diz respeito à qualidade, apresentação dos produtos, bem como na sistematização das entregas.

 

Dão preferência aos produtos nacionais?
Estão cada vez mais sensibilizados para a preferência de produtos nacionais, havendo bons exemplos de parcerias estabelecidas com a produção nacional.

E as marcas brancas? Nós fazemos algumas, sem qualquer critica. O que produzimos é baseado em caderno de encargos que cumprimos, garantindo os parâmetros de qualidade e segurança exigidos, de modo a honrar a confiança que depositam na Interaves.

Mas a área de influência da Interaves não se resume ao território nacional. Pelas revelações de Fernando Correia pode dizer-se que a empresa tem produtos, de forma directa e indirecta, nos mercados externos, sendo contudo a Europa o mercado principal. “Exportamos com regularidade, com dois camiões por semana, para o Luxemburgo. Este é um cliente que temos desde 2003 e que tem vindo a aumentar, de forma sucessiva, as suas compras. Estamos, neste momento, com venda regular em França, Alemanha, Inglaterra e Espanha, onde é possível crescer. Somos competitivos em qualidade e preço, por isso apostamos em mercados exigentes.
Temos outro mercado com interesse, que é África, para onde exportamos apenas congelados. São Tomé, Angola, Guiné Equatorial são os principais mercados”. A exportação refere, “tem um peso interessante, representando mais de cinco por cento das nossas vendas. Não é muito mas temos condições para crescer. Estão a abrir-se outras oportunidades, como a China e o Médio Oriente.”

interaves3.jpgApesar desta incursão bem sucedida pelo estrangeiro, Fernando Correia, diz que a aposta principal é no mercado nacional. Por isso elogiou os apelos do Sr. Presidente da República, Professor Cavaco Silva, para que os consumidores prefiram os produtos nacionais, bem como a Assembleia da Republica, criando o Dia da Produção Nacional, a quem, formalmente, agradeceu e disso deu conhecimento às associações onde estão associados e a todos os seus colaboradores.
Contamos, também, com o dinamismo e patriotismo da Senhora Ministra da Agricultura e dos restantes membros para “puxarem” pela produção nacional, incentivando os consumidores a consumirem produtos nacionais, nomeadamente a carne de aves.

Fernando Correia terminou com o seguinte agradecimento:
A Interaves e os seus colaboradores, agradecem a clientes e consumidores de carnes de aves a preferência pelos seus produtos.
Também fez jus à comunicação social, que se tem interessado pelo sector, a quem agradece, nomeadamente à Valor Económico, pela presente entrevista.

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